Histórias da Geologia

Este blog pretende ser um espaço de reflexão sobre a evolução do conhecimento geológico ao longo dos tempos, principalmente a partir do século XVII, não esquecendo porém as pequenas histórias que fazem a grande história

quarta-feira, maio 31, 2006

Terramotos - imagens dinâmicas

Mais animações sobre as causas dos terramotos podem ser encontradas no jornal El Pais http://www.elpais.es/fotogalerias/popup_animacion.html?xref=20030122elpepusoc_2

Formação de montanhas

No manual citado no post anterior, dirigido para o actual 9º ano, é ainda afirmado a propósito da formação de montanhas que:

'Uma consequência imediata dos movimentos diferenciais da crusta da terra é o levantamento de formações geológicas de sedimentação marinha.
Rochas equivalentes aos sedimentos que actualmente se constituem especialmente nas zonas marginais dos oceanos ou nos fundos dos mares epicontinentais, encontram-se formando vastas extensões emersas em continentes e ilhas e tantas vezes elevadas a altitudes muito superiores ao nível do mar'.
(p. 72)


Figura (19) - 'Face norte do Monte Everest. (Telefotografia da expedição inglesa de 1922). A montanha mais elevada do globo é formada de rochas estratificadas, antigos sedimentos marinhos'.

Alguns desses sistemas montanhosos surgem representados através de duas fotografias de modelos de um geólogo alemão (Krantz).

terça-feira, maio 30, 2006

'Geodinâmica, Geotectónica e Geognosia'



Os antigos livros de geologia dos liceus portugueses são um testemunho das mudanças, ou mesmo num sentido kuhniano, das revoluções que se registaram neste domínio. A título de exemplo recorde-se o manual 'Geodinâmica, Geotectónica e Geognosia', da autoria de Ferraz de Carvalho e Marcelino Ferreira de Moura, ambos docentes da Universidade de Coimbra, publicado em 1928 e dirigido à quinta classe do curso geral.

Neste manual ainda se admite que a Terra esteja a sofrer um processo de diminuição de volume:

'Uma hipótese que se formula para explicar esta progressiva diminuição de volume, toma como principal causa dela a gravidade. As massas que constituem a terra são atraídas por fôrças centrais, em obediência à lei de Newton e pouco a pouco se vão dispondo, vencida a sua resistência à deformação, de maneira a ocuparem menor volume.

As deformações porém não se realizam com absoluta continuidade: a cada período em que predominam, sucede outro de paralização do processo. É que a deformação das massas terrestres acompanha-se de um desenvolvimento de calor que, enquanto se não dissipa, se opõe, a nova diminuição de volume'. (p. 71)

Assim se formam as 'rugas' monoclinais e anticlinais que podem ser experimentalmente imitadas no aparelho de Bailey Willis: 'camadas de substâncias plásticas são apertadas entre um cepo fixo e outro posto em movimento por um parafuso, e ao mesmo tempo são comprimidas por o peso, que pode variar-se, duma massa semifluída'.

Terramoto na Indonésia

Vale a pena consultar a página da BBC (http://news.bbc.co.uk/hi/spanish/specials/newsid_4327000/4327876.stm)
onde se procura explicar a génese deste tipo de fenómenos através de uma sequência de imagens dinâmicas.

segunda-feira, maio 29, 2006

Gravura representando fósseis (séc. XVIII)

O desenho, representando fósseis descobertos em Sassenage (França), faz parte da obra Voyage Pittoresque de la France, t. 2, Dauphiné, Lamy, 1787.

Feira do Livro - Lisboa

História da Ciência - congressos

The Museum of Science of the University of Lisbon and the Portuguese Society of Chemistry are pleased to announce:

19th Century Chemistry: Spaces and Collections
1-4 February 2007 Museum of Science University of Lisbon Portugal


Registration deadline: 30 November 2006Abstract submission deadline:30 September 2006
A major international conference to celebrate the inauguration of the magnificent 19th century Laboratorio Chimico of the University of Lisbon and to explore and discuss challenges related to the role of scientific heritage in the history of science.
While museums today are often struggling with declining resources, are they prepared to meet the expectations of different groups, such as historians, scientists, and diverse audiences? What is the role of spaces of research and teaching such as laboratories and observatories in the history of science and public engagement with scientific research? What are the implications of these new demands for the daily routines of curators? Are curators aware of the needs of historians and are they trained to document scientific collections accordingly? Should curators engage more in the history of science? How can historians be induced to make more use of collections? Are historians of science trained to carry out collection-based research? How to articulate collections and scientific archives?
19th Century Chemistry: Spaces and Collections aims at contributing to a forward looking discussion of these issues and to enhancing the links between historians and curators in order to promote the material culture of chemistry.

Invited international speakers include:
Bernadette Bensaude-Vincent, Historian of Science at the Université de Paris X (keynoyte); Robert Anderson, Historian of Science, University of Cambridge, and former Director of the British Museum (keynote); Marco Beretta, Historian of Science, University of Bologna, and Vice-Director of the Istituto e Museo di Storia della Scienza Florence; Ursula Klein, Director of the Research Group on the History and Philosophy of Chemistry and Biochemistry, Max Planck Institute for the History of Science, Berlin; Liba Taub, Historian of Science and Director of the Whipple Museum of the University of Cambridge; Steven de Clercq, Vice-Chair of UMAC (Committee for University Museums and Collections of ICOM, the International Council of Museums) and former Director of Utrecht University Museum; Christoph Meinel, Historian of Science at the University of Regensburg; Alan Rocke, Henry Eldridge Bourne Professor of History, Case Western Reserve University (EUA); Antonio Garcia Belmar, Historian of Science at the University of Alicante.

The Portuguese contribution includes:
Fernando Bragança Gil, founder and former Director of the Museum of Science of the University of Lisbon; Graça-Santa Bárbara, Responsible for the Restoration of the 19th century Laboratorio Chimico, University of Lisbon; Pedro Casaleiro, Responsible for the Restoration of the 18th century Laboratorio Chimico, University of Coimbra.
Desdobrável em Português

domingo, maio 28, 2006

Campo magnético


Os registos dos navegadores dos séculos XVII e XVIII estão a ser analisados por investigadores da Universidade de Leeds para estudarem o enfraquecimento do campo magnético terrestre. Desde que o seu valor começou a ser determinado com rigor após os trabalhos de Carl Friedrich Gauss, 1830-1840, que se constatou estar a enfraquecer, o que alguns consideram poder significar a aproximação de nova inversão de polaridade. Resultados obtidos revelam, contudo, que entre 1590 e 1840 a redução foi menor do que a que se regista após 1840 (10%) e que esta pode também corresponder a uma oscilação temporária.

quinta-feira, maio 25, 2006

Descartes e as primeiras Teorias da Terra

Durante o século XVII foram publicadas algumas obras que podem ser consideradas como um testemunho dos primeiros passos na individualização da Geologia. Estas publicações, com carácter essencialmente especulativo, procuraram reconstituir a história da Terra.

René Descartes embora não tenha escrito propriamente um tratado sobre a história da Terra, propôs uma teoria explicativa da evolução gradual do nosso planeta, no Princípios de Filosofia.

De acordo com as concepções cartesianas, o Universo encontrava-se formado por três tipos de partículas imperceptíveis, em movimento constante, num espaço ausente de vácuo. Um destes tipos de corpúsculos podia, ao reunir-se no centro dos vórtices celestiais, formar as estrelas. Por sua vez, estas eram possuidoras de manchas à sua superfície, semelhantes às manchas solares, correspondentes a locais a partir dos quais se iniciaria o seu arrefecimento. O aumento gradual destas zonas daria origem à formação de uma crosta sólida. De acordo com este modelo, a Terra teria sido, no passado, uma estrela semelhante ao Sol, por isso possuiria no seu centro um matéria em combustão que seria um vestígio desta evolução.

Não sendo sempre clara a sua argumentação, Descartes fez, no entanto, acompanhar as suas teorias de algumas imagens que permitem compreender melhor as suas ideias. Uma leitura da figura 1, partindo do quadrante superior direito e seguindo o sentido do movimento dos ponteiros do relógio, permite identificar quatro distintas fases da evolução da Terra, marcadas pela individualização de diferentes camadas.



M – camada compacta e opaca
I - fogo central
1º quadrante:
A – atmosfera
2º quadrante:
B – atmosfera
C – camada sólida, dura e opaca
3º quadrante:
B – atmosfera
D – camada líquida
C – camada sólida, dura e opaca
4º quadrante:
B – atmosfera
E – camada dura constituída por várias capas de matéria, semelhantes a películas
D – camada líquida
C – camada sólida, dura e opaca

Figura 1 – Diferentes fases da evolução da Terra, de acordo com René Descartes (Princípios de Filosofia)

Numa fase mais adiantada da descrição do seu modelo, Descartes previu a formação de fissuras na camada E (fig. 2). O alargamento destas fissuras provocaria o colapso desta camada sobre a camada C. Mas uma vez que esta superfície não tinha uma área suficiente para receber todas as peças deste corpo, na mesma situação em que se encontravam anteriormente, tornou-se necessário que algumas caíssem de lado e se apoiassem umas nas outras. Desde modo, utilizando uma série de deduções lógicas, Descartes pretendeu explicar a formação das montanhas e a existência de um oceano interior com o qual comunicavam os diferentes mares.



Figura 2 – A última fase de desenvolvimento da Terra, segundo René Descartes (Princípios de Filosofia)

quarta-feira, maio 24, 2006

Cândido e o terramoto de Lisboa

Foi lançado no dia 23 de Abril, dia internacional do livro, uma nova tradução de Candide, ou l'Optimisme de Voltaire. A tradução é de Rui Tavares, o autor do Pequeno Grande Livro sobre o Grande Terramoto, a que já antes fiz referência. A edição muito cuidada, da 'Tinta da China', inclui também notas e um pequeno estudo.


A minha curiosidade por esta obra está relacionada com o facto do terramoto de 1755 ser um elemento importante na trama construída por Voltaire. Cândido e o filósofo Pangloss, depois de uma longa série de problemas, naufragam à entrada do porto de Lisboa, precisamente depois do grande terramoto de 1 de Novembro, o que tem como consequência que ao chegarem a terra se vissem envolvidos num novo conjunto de peripécias:

'Alguns pedaços de pedra tinham ferido Cândido; estava estendido na rua e coberto de entulho. Pedia a Pangloss: «Ai de mim! acha-me um pouco de vinho e azeite; vou morrer. - Este terramoto não é coisa nova, respondeu Pangloss; a cidade de Lima passou pelos mesmos abalos na América o ano passado; mesmas causas, mesmos efeitos: há certamente um filão de enxofre subterrâneo desde Lima até Lisboa. - Nada de mais provável, disse Cândido; mas, por amor de Deus, um pouco de vinho e azeite. - Como, provável? replicou o filósofo, defendo que é coisa provada.» (p. 29)

Toda a obra está imbuída de um espírito de crítica às correntes filosóficas optimistas de Alexander Pope e G. Leibniz. Voltaire foi impulsionador de um movimento anti-optimismo, que é colocado especialmente em evidência no Poema sobre o desastre de Lisboa:

Oh! desgraçados mortais, oh! lastimável terra;
Oh! reunião medonha de todas as calamidades;
De insuperáveis dores eterno entretenimento!
Iludidos filósofos que gritais tudo está bem:
Vinde, contemplai estas ruínas medonhas

A geologia da Islândia






Estas gravuras pertencem a Illustrations de Lettres sur l'Islande, De Troil, Paris, Imprenterie Monsieur, 1781.

terça-feira, maio 23, 2006

Descrições de processos e formas (1561)

As imagens que em seguida se reproduzem pertencem a Illustrations de Histoire des pays septentrionaux, de Olaus Magnus, editado em Anvers por Christophe Plantin em 1561. Os desenhos são realizados já com a técnica da gravura em metal.



sábado, maio 20, 2006

História da sismologia



Hoje, durante as minhas pesquisas na net, encontrei um excelente artigo do Professor Jean-Paul Poirier no site do Institut de Physique du Globe de Paris (sismologie), com o título: Histoire de la science des tremblements de terre. Do mesmo autor também já conhecia um livro escrito em conjunto com Emanuela Guidoboni.

1783 - o Annus Mirabilis

É comum, ao lerem-se textos antigos, encontrar referências a períodos de tempo nos quais se registaram acontecimentos considerados, à época, como 'extraordinários', 'misteriosos', 'curiosos', 'prodigiosos', etc. Toda uma longa série de adjectivos poderiam ser aqui recordados!

O ano de 1783 foi um desses anos, a nível da Europa, designado por isso como Annus Mirabilis. O Verão foi extremamente quente e o Inverno um dos mais rigorosos que há memória. Mas em termos geológicos o que aconteceu de extraordinário neste ano de 1783? Os vulcões Etna, Stromboli e Vesúvio entraram em erupção, assim como o Asama no Japão. Tremores de terra foram sentidos na Calábria. Mas, o principal acontecimento foi a erupção do Laki na Islândia. Uma enorme erupção de tipo fissural que decorreu de Junho de 1783 a Fevereiro de 1784.

Em Agosto de 1783, Mourge de Montendron relatva na Academia Real de Montpellier algumas das observação que tinha realizado. Os feitos não foram unicamente locais, eles afectaram a Europa, devido a emanações que se concentraram nas camadas baixas da atmosfera (http://www.ipgp.jussieu.fr/~alchenet/Movie.html). É mesmo possível colocar em evidência um aumento na taxa de mortalidade, em Inglaterra e França, neste período.

Consultar: Chenet, A.L., Fluteua, F. e Courtillot, V., 2005, 'Modelling massive sulphate aerosol pollution, following the large 1783 Laki basaltic eruption'.(http://www.ipgp.jussieu.fr/~alchenet/)

"Elementos em fúria"



A Pour la Science, edição francesa da Scientific American, acaba de publicar um dossier dedicado aos 'elementos em fúria' (les éléments en furie). São vários os artigos com interesse, mas entre eles destacamos dois, pela sua relação mais directa com a História da Geologia:

Buffetaut, E., 'Le catastrophisme dans l'histoire de la géologie'

Klinger, Y. e Tapponier, P., 'La traque des anciens séisme'

Kopf, A., 'Le tremblement de terre de Lisbonne'

Mais informações sobre este número da revista podem ser obtidas no seguinte endereço: http://www.pourlascience.com/index.php?ids=fxWxWvqPfdjuYHmVRrcc&Menu=Dossier&Action=1&idn1=40

quarta-feira, maio 17, 2006

Imagens de divulgação


Hoje ofereceram-me um pequeno livro, o qual pode ser incluído na categoria de obras de divulgação. O livro foi escrito, em 1946, por Jean-Pierre Rothé, professor da Universidade de Estrasburgo, e intitula-se 'Sismos e vulcões'. Em 1977, teve uma 7ª edição revista e, em 1978, foi publicado em Portugal na colecção SABER.
O que me chamou mais a atenção foi a imagem colocada na capa do livro onde se representa uma cidade a ser submergida por uma falha tectónica, ou será antes o efeito de um processo de subducção? Na contra-capa é afirmado que o esquema corresponde a uma 'esquematização livre de um vulcão e de um sismo'.

terça-feira, maio 16, 2006

Uma aula de paleontologia


A gravura representa William Buckland (1784-1856), proferindo uma conferência para um público aparentemente bastante interessado nas questões paleontológicas.
Nas Ilhas Britânicas, no início do século XIX, dominavam as correntes diluvianistas, defendidas, entre outros, por dois clérigos anglicanos, Buckland e Adam Sedgwick (1785-1873), que tentavam conciliar os relatos bíblicos do Dilúvio com os registos geológicos. A presença de fósseis em zonas actualmente inabitadas e a descoberta dos mamutes na Sibéria, por exemplo, era interpretada como tendo os continentes sido invadidos por águas diluvianas arrastando consigo seres que viveriam em locais longínquos.
Buckland que era professor de geologia e paleontologia na Universidade de Oxford foi umas das mais influentes figuras, nestes domínios. Cuvier visita-o em 1818 e nessa altura interessa-se por um dos fósseis que Buckland possuía, o de um grande réptil encontrado em Stonesfield o qual já tinha sido descrito pelo paleontólogo inglês e designado por Megalossaurus. Hoje sabemos tratar-se de um dinossaurio carnívoro bípede. Cuvier via neste animal, do qual só se conhecia a mandíbula e diversos ossos do esqueleto pós-craniano, um réptil marinho «extrêmement vorace».

segunda-feira, maio 15, 2006

Património Geológico e Mineiro


SOCIEDAD ESPAÑOLA PARA LA DEFENSA DEL PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO
VII CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE
PATRIMÓNIO GEOLÓGICO E MINEIRO
XI SESSÃO CIENTÍFICA DA SEDPGYM



PUERTOLLANO (C. Real - Espanha) 22-24 de Setembro de 2006
1ª CIRCULAR
A Sociedade Espanhola para a Defesa do Património Geológico e Mineiro (http://www.sedpgym.org/) convoca uma vez mais todos os interessados nesta temática para participarem activamente no VII Congresso Internacional de Património Geológico e Mineiro, que se constituirá, durante alguns dias, em ponto de encontro para estudiosos e interessados na recuperação da história e cultura mineiras. É nossa intenção sensibilizar a opinião pública para a recuperação e salvaguarda das nossas raízes mineiras através do fomento da investigação e da difusão dos temas relacionados com a mineração e a sua história. Para isso, o cenário onde se desenvolverá o Congresso conta com uma ampla tradição de mineração que, no caso específico do carvão, remonta a mais de 100 anos atrás, mas que vai até à pré-história no caso de outras substâncias como o cinábrio.
O Congresso inclui visitas a vários pontos de interesse geológico-mineiro, como Almadén, a Bacia carbonífera de Puertollano, o Vale de Alcudia ou os vulcões do Campo de Calatrava.

LUGAR E DATAS DE REALIZAÇÃO

Centro de Estudios Universitarios de Puertollano (Ciudad Real - España)
22 a 24 de Setembro de 2006

TEMÁTICA

Os trabalhos versarão distintos aspectos relacionados com a conservação e gestão do Património Geológico e Mineiro-Metalúrgico. Para a apresentação das comunicações, diferenciam-se cinco sessões, que são:
1.- Património Geológico.
2.- Património e Paisagem Mineiros.
3.- Arqueologia e História Mineiras.
4.- Património Geológico e Mineiro intangível
5.- Museus, Parques Geológicos e Mineiros. Projecção Turística.

domingo, maio 14, 2006

História da Geologia

O site Planet Terre disponibiliza um conjunto importante de artigos, alguns deles no domínio da História da Geologia que vale a pena consultar. Três deles têm por base uma obra da autoria de Vincent Deparis e Hilaire Legros, Voyage à l'intérieur de la Terre, publicada em 2000.


Vincent Deparis, 'Histoire d'un mystére: l'intérieur de la Terre'
http://www.ens-lyon.fr/Planet-Terre/Infosciences/Geodynamique/Structure-interne/Histoire/modeles.htm

Pierre Thomas, 'Le centre de la Terre vu aux XIIIème et XVIIème siécles'
http://planet-terre.ens-lyon.fr/planetterre/objets/img_sem/XML/db/planetterre/metadata/LOM-Img64-2003-12-15.xml

Vincent Deparis, 'Quel âge a la Terre?'
http://planet-terre.ens-lyon.fr/planetterre/XML/db/planetterre/metadata/LOMhistoireage.xml

Vincent Deparis, 'Quelle est la forme de la Terre: plate, oblongue ou aplatie aux pôles?'
http://planet-terre.ens-lyon.fr/planetterre/XML/db/planetterre/metadata/LOMhistorique.xml

quinta-feira, maio 11, 2006

Exposição online - vulcões, erupções e muito basalto

A Linda Hall Library disponibiliza online uma exposição intitulada Vulcan's Forge and Fingal's cave: Volcanoes, Basalt, and the Discovery of Geological Time, que pode ser visitada no seguinte endereço: http://www.lhl.lib.mo.us/events_exhib/exhibit/exhibits/vulcan/

Nesta exposição é possível observar a imagem de Borelli que aqui reproduzo, assim como muitas outras, estando todas devidamente enquadradas em termos de informação histórica.

Imagem da autoria de Giovani Alfonso Borelli (1608-1679). Historia, et meteorologia incendii Aetnaei anni 1669. Reggio di Calabria: Domenico Ferro 1670.

quarta-feira, maio 10, 2006

Geólogos a concurso




A Biblioteca Nacional da Escócia propõe nas suas páginas Web um curisoso concurso, para eleição dos 10 mais 'importantes' cientistas e engenheiros - The Scottish Science Hall of Fame. Para isso, coloca à votação 24 personalidades, entre as quais se encontram James Hutton e Charles Lyell. Porém, de momento, só o primeiro se apresenta classificado (6º lugar) e mesmo assim é ultrapassado por Lord Kelvin!

Charles Lyell (1797-1875) - tempo cíclico



Charles Lyell, célebre geólogo inglês, foi alvo da crítica dos seus contemporâneos por defender uma perspectiva cíclica do tempo. A imagem (1830), da autoria do naturalista Henry De la Beche retrata Lyell como o 'Professor Ichthyosaurus' dando uma aula de anatomia, sobre a espécie humana, a uma audiência de seres extintos e novamente reaparecidos.

Na verdade, o século XIX ficou marcado por duas grandes mudanças conceptuais: a aceitação de uma escala geocronológica longa e a confirmação da existência de modificações no mundo vivo, ao longo dos tempos, patentes na sucessão de floras e faunas fósseis descobertas em várias regiões. Contudo, este tipo de cronologias também esteve associada a concepções de tempo cíclicas como algumas afirmações de Lyell parecem sugerir e que Henry De la Beche aproveitou para realizar estes cartoon.

segunda-feira, maio 08, 2006

Terramoto de 1538 (?)


De acordo com esta gravura portuguesa, em 1538, um tremor de terra substituiu um lago (Lacus Lucrimus) por uma montanha com 350 metros de altura, no vértice da qual se abriu uma cratera.
Esta data não corresponde com as que encontramos em alguns trabalhos que referem, no século XVI, o registo de terramotos, em Portugal, apenas em 1504, 1531, 1575, 1587, 1597 ou 1598. De qualquer forma a imagem é bastante interessante e reveladora das concepções que à época vigoravam sobre as causas dos terramotos: exalações subterrâneas que ao ficarem aprisionados em canais e cavernas provocariam o 'estremecimento' dos solos.

A ilustração pode ser visualizada no site da Biblioteca Nacional.

Viagem à Islândia

As ilustrações que se seguem pertencem ao Atlas du voyage en Islande, fait par ordre de S.M. Danoise. Esta obra, em 5 volumes, foi publicada em Paris em 1802. Nela se incluem 59 estampas em talha-doce.

Figura 1 - Caverna de SurtshellirFigura 2 - Estalactites fundidas da caverna de Surtshellir
Figura 3 - Zeólitos e cristaisFigura 4 - Vista das montanhas do Distrito de Bardenstrand


Figura 5 - Geyser.

As restantes figuras podem ser visualizadas no site da Biblioteca Nacional de França.

O Padre Gabriel Malagrida (1689-1761) e o Terramoto de Lisboa


Aproveitei o fim de semana para ir assitir à peça que está no Teatro Trindade, em Lisboa, sobre o Terramoto, em que uns dos personagens importantes é o missionário jesuíta Gabriel Malagrida (1689-1761), um crítico das explicações físicas do fenómeno que publicou, em 1756, um panfleto (Juizo Verdadeiro das Causas dos Terremoto, que padeceo a cidade de Lisboa e todo Portugal, no primeiro de Novembro de 1755), muito polémico no qual ele procura apresentar a catástrofe como um acto da divina intervenção e em que também faz críticas veladas ao Marquês de Pombal, o qual havia ordenado que as causas naturais do fenómeno fossem explicadas às populações. Em 1759, Malagrida foi preso e em 21 de Setembro de 1761 sujeito a um auto-de-fé, o último levado a cabo pela Inquisição Portuguesa, resultado de um clima de intriga política e de perseguição aos jesuítas.


Na peça de teatro a que assisti o Padre Magrida, na presença do Rei D. José I, empunhando a cruz profere a seguinte afirmação:

'Sabei, meu senhor, que os únicos destruidores de tantas casas e palácios, os assoladores de tantos templos e conventos, homicidas de tantos dos habitantes de Lisboa, os incêndios devoradores de tantos tesouros, não são os cometas, as estrelas do céu, não são gazes, vapores ou exalações da terra, não são fenómenos físicos, não são contingências ou causas naturais, mas são unicamente os intoleráveis pecados dos lisboetas, ...'

A que mais tarde o Marquês de Pombal responde:

'Permita-me que diga que, sem desmerecer no magnífico sermão de padre Malagrida, para além da voz do céu existe a voz da terra e, neste caso, Majestade, foi esta que falou; rugiu, Senhor, foi um terramoto que assolou Lisboa, gazes, ar, águas subterrâneas, rochas, grutas que se deslocaram, o cheiro a enxofre e os gazes exalados não deixam dúvidas ...'

Retirado de Oliveira, F. e Real, M. (2006), 1755 O Grande Terramoto. Lisboa: Europress.

sábado, maio 06, 2006

Exposição no Crystal Palace

Por iniciativa de Richard Owen (1804-1892) e com o apoio do pintor e escultor Waterhouse Hawkins foi desenvolvido um projecto de criação de reconstituições, em grande dimensão, de dinossauros assim como de outros animais cujos esqueletos fossilizados tinham sido descobertos na época. A exposição, instalada no parque de Sydenham, perto de Londres, para onde foi transportado por ordem da rainha Vitória o Palácio de Cristal, teve um enorme sucesso entre o público. Embora estas reconstituições se tenham revelado posteriormente incorrectas, elas permanecem no mesmo local, tendo agora valor histórico por serem a primeira tentativa de vulgarização científica de dinossauros.


Figura 1 - 'Dinosauria, or Gigantic Lizards, that lived during the Secondary Epoch of the Earth's History'. De acordo com a legenda de Waterhouse Hawkins à esquerda encontram-se representados dois Iguanodon e à direita um Hyleosaurus.

Figura 2 - Parte de um 'Diagram of the Geological Restorations at the Crystal Palace', esquema que Waterhouse hawkins utilizou para ilustrar uma conferência que deu na Society of Arts (Londres) em 1854. Os modelos estão dispostos numa ordem cronológica da direita para a esquerda. Figura 3 - Atelier do escultor Waterhouse Hawkins.
Figura 4 - Cartoon da época (Punch, 1855).

Figura 5 - Outro cartoon do Punch (1855), 'The Effects of a Hearty Dinner after Visiting the Antediluviam Department at the Crystal Palace'.
Figura 6 - Representação do banquete que foi oferecido por Owen a 20 personalidades, a 31 de Dezembro de 1853, no interior de um Iguanodon, para comemorar a abertura da exposição.



Figura 7 - Imagens actuais do Crystal Palace.

quinta-feira, maio 04, 2006

Expedição científica ao Egipto


Num das últimas entradas fiz referência a uma obra onde são relatadas observações recolhidas durante a expedição da Armada francesa ao Egipto, no final do século XVIII (1798), a qual teve também uma componente científica significativa.

Em 1797, após a rápida vitória de Bonaparte em Itália, a conquista do Egipto surgiu como uma oportunidade de domínio sobre as rotas comerciais para a India e, deste modo, como uma forma de atacar o principal inimigo de França - a Inglaterra. Mas a expedição não teve apenas objectivos militares. Bonaparte fez-se rodear de uma comissão de cerca de 150 personalidades ligadas a diversas áreas científicas cujo trabalho no Egipto decorreu com bastantes sobressaltos e dificuldades.

Em 1802, foi decidido reunir e publicar todo o material científico resultante da expedição. Um primeiro volume de gravuras foi apresentado ao imperador em 1808, e os primeiros volumes vão surgir em 1809. A obra, Description de l'Egypte ou Recueil des observations et recherches qui ont faites en Egypte pendant l'éxpedition française, comporta 10 volumes de gravuras, 3 dos quais dedicados à História Natural. Estes volume são acompanhados, por sua vez, de 9 volumes de texto, 2 dos quais também dedicados à História Natural. O rigor das descrições e a beleza das gravuras tornam esta obra absolutamente excepcional.

O trabalho realizado, em termos da geologia, terá sido provavelmente iniciado por Déodat Dolomieu (1750-1801), embora o seu nome não conste dos relatos por este se ter incompatibilizado com Bonaparte e abandonado o Egipto, com o seu assistente Cordier, em 1799. Os textos geológicos que se encontram nesta obra são por isso da autoria de François-Michel de Rozière, que procura servir-se da geologia como meio para compreender a história do Egipto e dos seus monumentos:

'Ce travail offrira donc une manche partuculière. Simple exposé des faits naturels et de leurs conséquences géologiques, il serait dépouillé de sa principale utilité. Ce doit être aussi le dévelloppment des raports du sol de l'Egypte avec les anciens peuples qui l'ont habité, l'ont couvert de leurs monuments, qui, dans le temps les plus reculés, l'ont creusé, traversé, modifié, par leurs travaux dont les vestiges existent encore ...'

Rozière atribuiu grande importância às ilustrações como técnica que permitia ultrapassar dificultades na descrição de rochas e fósseis, tendo por isso existido um cuidado muito particular na elaboração das gravuras.

Para mais informação consultar, de Francine Masson, L'Expédition d'Egypte, em http://www.annales.org/archives/x/ABC.html

quarta-feira, maio 03, 2006

História da Ciência - Wikipédia

Mais um endereço importante, o portal de História da Ciência da Wikipédia

http://pt.wikipedia.org/wiki/Portal:Hist%C3%B3ria_da_ci%C3%AAncia

Descrições mineralógicas e paleontológicas

Estas imagens fazem parte de uma obra intitulada Illustrations de Description de l'Egypte ..., botanique, minéralogie, T. II, Paris, 1813, onde se descrevem as observações efectuadas no Egipto à época da expedição da Armada francesa. Esta obra é formada por 80 ilustrações, a maior parte do domínio da botânica, podendo ser consultada na Biblioteca Gallica no seguinte endereço:

http://visualiseur.bnf.fr/CadresFenetre?O=IFN-2300301&I=1&M=notice




Figura 1 - Túmulos dos Reis; Pirâmides de Memphis: 1,2,3 e 4 - pedras siliciosas figuradas; 5,6,8, e 9 - pedras empregues na construção das pirâmides; 7, 10, 11 e 12 - conchas fósseis.


Figura 2 - Gebel Selselech etc., Montanha Vermelha, etc.: 1,2,3 e 4 - pudim 'memnonien', 5 calhau do Egipto, 6,8 e 9 - grés ferruginosos, 7, 10, 11 e 12 - grés monumental, 13 - grés de cimento silicioso.


Figura 3 - Desertos próximos ao Egipto: madeira petrificada.

Figura 4 - Margens do Mar Vermelho e Vale de Egarement: 1 a 6 - conchas fósseis.

terça-feira, maio 02, 2006

Moçambique - tremor de terra (22/Fev/2006)




(Fotografias de autor desconhecido)